

"Uma mão e pé direito no social democrático e um pé e mão esquerda no social liberal com uma cabeça ambidestra"


Aquele homem culto, que fala alemão fluentemente, é o primeiro negro a assumir o mais alto cargo da justiça brasileira, onde reside o teto de nossa gerência moral, e deveria ser fã de um outro Barbosa: Rui. Aliás, Rui Barbosa dev
eria ser um verbo. O verbo “ruibarbosiar” que significaria, e além de muitos significados, saber que saber significa não saber. Esse verbo seria regular e com múltiplas transitividades: o primeiro que uma criança aprenderia na escola, qual o leite materno, a fim de levar pro resto de sua vida o verbo profilático para não adoecer a carne e, principalmente, o espírito.
Não se viu ali, na Suprema Corte, apenas um bate-boca típico de um botequim da esquina. O que aconteceu foi a “desruibarbosiação” das coisas: a incomensurável falta de modéstia. Barbosa “desruibarbosiado” ( o Joaquim) e o Gilmar Mendes apenas abriram as portas de uma percepção camuflada sob a toga do juridiquês e conveniências políticas. Não adianta política será o fio condutor de todos os poderes, e o homem é político por natureza, mesmo que analfabeto. Política é a arte de vender e vendem-se aparências, embora, às vezes, não se consiga disfarçar. A Corte deve ter pensado: “não colou essa, foi um descuido feio de vocês”. Outrossim, as futricas on-line entre Lewandowski e Cámen Lúcia em outros tempos verbais ( 2007), porém pessoas diferentes. Será que o poliglota está sentido sobre quem duvidava do seu “salto social”? Até quando Eros Grau ( Cupido) engolirá Lewandowski e Cámen Lúcia. Será que a pressão do Cupido ainda sobe?
Salve algumas exceções, mas Barbosa (o desruibarbosiado) e seus pares precisam conjugar este neologismo. Devem querê-lo e querer-lhe ou ruibarbosiá-lo e ruibarbosiar-lhe, pois “a inteireza do espírito começa por se caracterizar no escrúpulo da linguagem” como cantou certa Águia que hoje está em extinção.
By Marco Gemaque
By Marco Gemaque
Notas mínimas de um País mínimo
Foram os chineses que inventaram o ingresso a órgãos públicos por via de uma seleção de provas objetivas: o concurso público. E o filósofo alemão Heidegger o trouxe para o ocidente, a fim de diminuir a ingerência política do Estado. Logo, o mundo todo copiou, porém, ao longo do tempo, se transformou numa batata quente, principalmente em países desenvolvidos, a contramão do neoliberalismo, pois aumentava os gastos públicos e a terceirização seria um ótimo caminho. O Brasil é um dos poucos países no qual há ingresso para o funcionalismo público para semi-analfabetos (o ensino fundamental incompleto). Não vamos entrar na questão do analfabetismo funcional, pois seria uma hecatombe na manhã da folha. Na esteira da globalização, o inocente jogo de azar transformara-se numa máquina de fazer dinheiro, financiando casas, atletas, educação, etc. Este, et cetera, o crime também. Fez-se, então, o concurso público ou/e a loteria. Esta transformando muitos pobres em milionários da noite pro dia e aquele, sonho de todo brasileiro em nível congênito, um caminho para a estabilidade ou um contraponto para a ingerência nacional( quimeras mil um castelo de autoafirmação que se ergueu ). Alguns coitados milionários ficam pelo meio do caminho: ora pela falta de cumulatividade, passando muito rápido de Assistente Administrativo a Antônio Ermírio de Moraes, ora pelos gananciosos de plantão. Lembrando Alguns concurseiros entram pra fazer uma prova como se tivesse entrando numa casa lotérica. Bingo! Cartão resposta ou bilhete lotérico?; Certo ou errado?; 34,60,45,87,29?; A idade de toda família ou a data de nascimento de cada um?; 73, b, 44,c,Todas estão corretas? (...) Eis a nossa esquizofrenia.
Quem disse que passar num concurso público é mais difícil que ganhar na loteria? A prova irrefutável desta mentira: milhares de concursos realizados pelas maiores instituições do Brasil. Então, vamos a justificativa da assertiva acima. O edital para o ingresso da AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES AQUAVIÁRIOS (ANTAQ), EDITAL N.º 1 – ANTAQ, DE 5 DE DEZEMBRO DE 2008, autarquia federal, cuja responsabilidade sobre o certame é do CESPE (UNB). Notei uma diferença no conteúdo programático para o concurso de 2009 em relação ao último, que foi em 2005, organizado pela mesma instituição (CESPE). Enviei o seguinte email para o CESPE: Por que incluir redação no curso de 2009, pois não houve redação no de 2005? Resposta: “devido ao número mínimo de acertos em 2005. Foram ingressados aos cargos com menos de 50% de acertos.” Sabemos que o CESPE formula uma prova de CERTO ou ERRADO com 110 assertivas que significa 110 pontos. Segundo o Edital “será reprovado nas provas objetivas e eliminado do concurso público o candidato que se enquadrar em pelo menos um dos itens a seguir: a) obtiver nota inferior a 6,00 pontos na prova objetiva de Conhecimentos Básicos (P1);10b) obtiver nota inferior a 24,00 pontos na prova objetiva de Conhecimentos Específicos (P2);c) obtiver pontuação inferior a 33,00 pontos na soma das notas obtidas nas provas objetivas P1 e P2.” Verificando o arquivo do CESPE, http://www.cespe.unb.br/concursos/_antigos/2004/ANTAQ2005/, identifiquei o absurdo que fez Martin Heidegger tremer no túmulo. Para o cargo de TÉCNICO EM REGULAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTES AQUAVIÁRIOS/BRASÍLIA/DF. A 8º colocada, Jucie Oliveira Marciel, obteve 63.00. Isso significa 57,27 % de acertos de uma prova com 110 questões, ou seja, quase a metade. Ela estava dentro do número de vagas que era 8 vagas para Brasília/DF; ou o 7º colocado para Belém, Delmare de Castro Sacramento com 59 pontos de 110, ou seja, 53,63 % da prova. Esses são alguns exemplos de vários, tanto para nível superior como para nível médio. Neste link há todo resultado do concurso que oferecia cargos para técnicos (Nével Médio) e analistas (Nível Superior) : http://www.cespe.unb.br/concursos/_antigos/2004/ANTAQ2005/arquivos/ED_2005_ANTAQ_6_RES_FIN_OBJ_E_DO_CONC__NM__E_PROV_DIS__NS_.PDF.
Longe de imaginar que esses candidatos acima chutaram, longe.
Seria possível, como numa loteria, qualquer pessoa das 110 questões acertar 55%, ou seja, 60,5 .Deixando em braco algumas e com a ajuda do CESPE anulando 10 ou 15 das 110. Número esse suficiente para o ingresso em uma autarquia federal com salários entre 4.205,27 e 8.389,60. Fiz a seguinte experiência: coloquei a mesmíssima prova nas mãos de um primo meu de 12 anos. Este teve um número de acerto de 62,3% , ou seja, 56,1 das 110 (deixando em branco 10 e mais 10 anuladas):90. O amiguinho de minha sobrinha de 10 anos. Este acertou 60% ou seja, 66 das 110 (deixando em branco 9 e mais 10 anuladas): 91, ou seja, estaria entre os aprovados. Não acreditei e continuei. A terceira foi um adolescente de 15 anos, sem fazer nenhuma análise, apenas à maneira lotérica. Ele acertou 58%, ou seja, 52,2 da 110 (deixando em branco 10 e mais 10 anuladas): 90, isto é, seria uma das primeiras colocadas, tentando o ingresso para técnico em Belém. Finalmente, fui atrás de um amigo, o “Loberto”, um fanático por loteria, porém nunca tentou a sorte num concurso público. Dei-lhe os cadernos, nível médio e nível superior, de questões. Fez uma cara, típica de um jogador veterano de loteria, e começou a marcar. Em alguns minutos, entregou-me. Conferi o gabarito. “Loberto” acertou 73 % da prova para nível técnico e 60 % nível superior(dentro da mesma lógica dos anteriores: deixando em branco e com a ajuda do CESPE). Agora, qual a solução para impedir o chutômetro dos Lobertos Brasil afora? O próprio CESPE tem a resposta, e medíocre, pra solução, que sempre o faz em seus concursos. E o fez no concurso do Ministério da Saúde 2008: “A nota em cada item das provas objetivas, feita com base nas marcações da folha de respostas, será igual a: 1,00 ponto, caso a resposta do candidato esteja em concordância com o gabarito oficial definitivo das provas; 0,50 ponto negativo, caso a resposta do candidato esteja em discordância com o gabarito oficial definitivo das provas” No bojo dessa regra, somando o número de acertos positivo e número de erros negativos. Loberto acertaria 59,5 em vez de 73 %, pois a porcentagem de erros teria um peso influente sobre os acertos, embora pífia também esta maneira, pois vale pra todos, no entanto a redação é de grande ajuda. Ainda assim esta a cada concurso está cada vez mais sugestionável: se o concurso é do Ministério da Saúde o tema da redação é “a humanização da saúde” ou “o caos da saúde no Brasil”. Mais: não há crédito sobre a redação, pois num universo de 120 pontos colocar uma redação com 10 pontos. Apesar de tudo O CESPE tem o costume de anular dez questões ou mais e fica por isso mesmo. No concurso do MS2008, foram anuladas 11 questões para nível médio. Anular 11 questões num universo de 120. Isto é o suficiente pra desclassificar um candidato que não as acertou e favorecendo pra quem as errou.
O mais deletério, nas provas de Certo e Errado do CESPE, é forçar o candidato a deixar várias questões em branco, ou seja, chegará um tempo que o mínimo de acertos para ingressar no serviço público será de 30% a 40% de uma prova ou nota 3 ou 4: uma regressão pedagógica.
Este é o Brasil, de notas mínimas de um País mínimo ou, como disse Reinaldo Azevedo, “Máximas de Um País Mínimo” , um Estado que acredita anacronicamente num país de funcionários públicos, ímpar no mundo, e não tem uma legislação específica pra falta de respeito aos cuncurseiros-consumidores. É isso, estamos à sorte, e sem logística, : alea jacta est.
P
Ainda que mal pergunte,