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sexta-feira, 29 de junho de 2007

O Espírito da Letra, de Bruno Tolentino

Por Marco Gemaque
Própolis e o verbo
"Abelha molda a colméiaTolentino o poema
Na milenar perfeição,
Ela se vale de imagens há milênios, Venn!
Ele de Machado, palavras!
Todo silogismo se encadeia
no poema-espacial que o Machado ferra: poema
Toda abelha é imortal.
Tolentino é abelha.
Logo, Tolentino é imortal "

Minha homenagem ao poeta que acredita
que o verbo é o DNA do poema.
A abelha defende a sua colméia com própolis há milênios
e Tolentino defende a poesia com o verbo:
doce altamente terapêutico eterno.

La Muerte no es el final


Cuando la pena nos alcanza,
del compañero perdido.
Cuando el adiós dolorido,
busca en la fe su esperanza.
En tu palabra confiamos
con la certeza que Tú
ya le has devuelto a la vida,
ya le has llevado a la luz.
Ya le has devuelto a la vida,
ya le has llevado a la luz.


O Espírito da Letra, de Bruno Tolentino

Ao pé da letra agora, em minha vida
há a morte e uma mulher… E a letra dela,
a primeira, me busca e me martela
ouvido adentro a mesma despedida

outra vez e outra vez, sempre espremida
entre as vogais do amor… Mas como vê-la
sem exumar uma vez mais a estrela
que há anos-luz se esbate sem saída,

sem prazo de morrer na luz que treme?!
O monstro que eu matei deixou-me a marca
suas pernas abertas ante a Parca

aparecem-me em tudo: é a letra M
a da Medusa que eu amei, a barca
sem amarras, sem remos e sem leme…



-Tel qu'en lui-même enfin l'éternité le change - dizia Mallarmé

sábado, 16 de junho de 2007

A paneleira

A paneleira

Cavar-te com as mãos de poeta

extraiu da argila a idéia de tua face

e eu cuité , amassar-te exato com sincera água,

com a pedra e faca só lâmina te esculpir,

sopro a mais louca e leve inspiração

e ainda em botão lamber-te seculares

de minha fome por todos

e enxugar o seco do imaginário

e nesse vazio seco eu, colher-te os talos e folhas secas

do esboço de tua imagem que parece porcelana de céu

tão pura tão forte peitos e braços ao ar livre,despejo palavras

que remexo e te mexo perspectiva à luz do holismo te queimo,

além do outro lado e do nosso lado

entre talos e folhas no fogo que nos mata e renasce,

vens em fumaça de nuvens que açoita a minha cons(ciência)

em minhas mãos calo eu ,que a meu corpo fênix

qual poema utilitário que celebro e abraço :
sfumato apuro.
Sfumato – palavra italiana que significa fumaça ou a “ técnica do sfumato “ usada pela primeira vez por Leonardo da Vinci que teve sua primeira aparição na Monalisa .

Menção honrosa no 1º CONCURSO NACIONAL DE POESIA - COLATINA 2006
Este evento teve, 606 poesias inscritas de 23 estados oriundas de 198 cidades de todo o país. Parabéns ao Departamento Municipal de Cultura de Colatina/ES. A literatura agradece.

Este poema , é uma homenagem à “Dona Antônia Paneleira”,Dona Antônia Alves dos Santos, uma negra descendente direta de africanos, artesã que fabrica a panela de barro em são Mateus, município de Espírito Santo
As panelas de barro do Espírito Santo configuram o primeiro bem cultural de natureza imaterial registrado pelo IPHAN – Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.